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<!--Generated by Squarespace Site Server v5.11.81 (http://www.squarespace.com/) on Tue, 29 May 2012 11:05:10 GMT--><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"><title>Aqui Dentro, Lá Fora</title><subtitle>Improbabilidades</subtitle><id>http://www.doppelganger.com.br/improbabilidades/</id><link rel="alternate" type="application/xhtml+xml" href="http://www.doppelganger.com.br/improbabilidades/"/><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.doppelganger.com.br/improbabilidades/atom.xml"/><updated>2012-03-11T08:32:22Z</updated><generator uri="http://www.squarespace.com/" version="Squarespace Site Server v5.11.81 (http://www.squarespace.com/)">Squarespace</generator><entry><title>A Garagem Hermética de Moebius</title><category term="Improbabilidades"/><category term="aqui dentro"/><category term="ensaio"/><category term="literatura"/><category term="lá fora"/><id>http://www.doppelganger.com.br/improbabilidades/a-garagem-hermetica-de-moebius.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.doppelganger.com.br/improbabilidades/a-garagem-hermetica-de-moebius.html"/><author><name>Carlos Irineu da Costa</name></author><published>2012-03-11T15:00:00Z</published><updated>2012-03-11T15:00:00Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<p><a href="http://www.doppelganger.com.br/resource/WindowsLiveWriter-AGaragemHermticadeMoebius_10976-?fileId=5817460"><img style="margin: 0px 25px 5px 0px; display: inline; border: 0px;" title="Moebius - Garage Hermetique" src="http://www.doppelganger.com.br/resource/WindowsLiveWriter-AGaragemHermticadeMoebius_10976-?fileId=5817461" border="0" alt="Moebius - Garage Hermetique" width="109" height="164" align="left" /></a></p>
<p>A Garagem Herm&eacute;tica &eacute; um conceito / universo / hist&oacute;ria criado(a) por Jean Giraud, mais conhecido como Moebius. A hist&oacute;ria &ndash; ou os fragmentos do que supostamente constitui uma &ldquo;hist&oacute;ria&rdquo; &ndash; foi publicada em datas variadas e vers&otilde;es divergentes. Est&atilde;o aqui, na NeoBiblioteca de Babel, em algum lugar&hellip; O hist&oacute;rico &eacute; complicado e, essencialmente, irrelevante: a Wikipedia US fala em 1976 a 1980, mas h&aacute; uma vers&atilde;o de 92, continua&ccedil;&otilde;es ou deriva&ccedil;&otilde;es em 74 e 95 e o hist&oacute;rico da Wikipedia FR &eacute; ainda mais complexo.</p>
<p>A &ldquo;vers&atilde;o can&ocirc;nica&rdquo; me parece ser a que foi publicada em 1979 por uma editora de nome fant&aacute;stico, &ldquo;Les Humano&iuml;des Associ&eacute;s&rdquo; [&#8220;Human&oacute;ides Associados&#8221;], fundada por Moebius, Dionnet, Druillet e Farkas, respons&aacute;vel pela revista mensal &#8220;M&eacute;tal Hurlant&#8221; - de onde saiu a vers&atilde;o americana, &#8220;Heavy Metal&#8221; - e pelo lan&ccedil;amento de v&aacute;rios quadrinhos inovadores nos anos 70 e 80.</p>
<p>Moebius pertence &agrave; gera&ccedil;&atilde;o de &#8216;artistas gr&aacute;ficos&#8217; franceses que mudou as regras de jogo, abriu caminho para o que chamamos, hoje, de &#8220;graphic novel&#8221; e trouxe um novo sopro de vida para os (na &eacute;poca) envelhecidos her&oacute;is da Marvel e DC. Junto com outros desenhistas not&oacute;rios e revolucion&aacute;rios, como Jodorowsky (chileno, e tamb&eacute;m autor de livros e pe&ccedil;as de teatro, cineasta &hellip;) e Enki Bilal, Moebius criou uma nova est&eacute;tica para os quadrinhos, dando &ecirc;nfase &agrave; narrativa.Em geral dizemos que s&atilde;o hist&oacute;rias de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica (novos mundos, civiliza&ccedil;&otilde;es alien&iacute;genas, explora&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o, realidades alternativas), mas sua obra possui sempre um vi&eacute;s ir&ocirc;nico, cr&iacute;tico ou francamente psicod&eacute;lico.<a href="http://www.doppelganger.com.br/resource/WindowsLiveWriter-AGaragemHermticadeMoebius_10976-?fileId=5817464"><img style="margin: 10px 0px 10px 15px; display: inline; border: 0px;" title="Moebius_mh6" src="http://www.doppelganger.com.br/resource/WindowsLiveWriter-AGaragemHermticadeMoebius_10976-?fileId=5817465" border="0" alt="Moebius_mh6" width="195" height="244" align="right" /></a></p>
<p>A Garagem Herm&eacute;tica &eacute; definitivamente psicod&eacute;lica.&nbsp;(Para quem quiser varrer a web em ingl&ecirc;s, traduziram literalmente como &ldquo;Airtight Garage&rdquo;, perdendo o jogo de sentidos do franc&ecirc;s e do portugu&ecirc;s, porque &eacute; &ldquo;herm&eacute;tica&rdquo; n&atilde;o apenas por seus mundos fechados, mas porque o sentido da obra &eacute; parcialmente herm&eacute;tico e certamente meta-referencial.)&nbsp;</p>
<p>O texto foi &ldquo;improvisado&rdquo; por Moebius: pelas entrevistas e por textos publicados depois ele deixa claro que n&atilde;o havia pensado em uma hist&oacute;ria, n&atilde;o havia um plano inicial. Ele partiu de uma premissa, um universo ficcional, e foi desenhando. Aparentemente, nem mesmo voltava para ver o que j&aacute; tinha feito, ent&atilde;o criava o que queria respeitando as regras b&aacute;sicas que tra&ccedil;ou e reutilizando alguns personagens.</p>
<p>O resultado foi incrivelmente f&eacute;rtil, abriu as portas para toda uma gera&ccedil;&atilde;o de artistas que viriam depois e &eacute; um testemunho a favor da &ldquo;arte pela verdade do artista&rdquo;, e n&atilde;o pelas vendas, p&uacute;blico, &#8216;likes&#8217;. Suponho que a Metal Hurlant tivesse que vender, mas, naqueles tempos, publicando quadrinhos inovadores, com qualidade, &ldquo;vender&rdquo; era uma quest&atilde;o de se organizar, cuidar da distribui&ccedil;&atilde;o, criar uma revista com personalidade. Havia menos ru&iacute;do em volta e ningu&eacute;m pensava que era preciso sair publicando &ldquo;A Outra Garagem&rdquo; ou &ldquo;Segredos da Garagem&rdquo; ou &ldquo;A Seita dos Herm&eacute;ticos&rdquo;, como teriam feito hoje.</p>
<p>O que me fascina no conceito da Garagem Herm&eacute;tica &eacute; que ele abre muitas portas - tem algo na Garagem Herm&eacute;tica, na obra de Moebius, que se recusa a envelhecer e talvez nunca morra. Hoje, um escritor como eu, anos mais tarde e escrevendo em outro contexto, tendo lido e apreciado esses quadrinhos quando ainda era adolescente, pode pegar o conceito, desloc&aacute;-lo e come&ccedil;ar a trabalhar com ele em outra m&iacute;dia e de outra forma.&nbsp;</p>
<p>Qual &eacute; o conceito da Garagem Herm&eacute;tica? Liberdade, improvisa&ccedil;&atilde;o, um imagin&aacute;rio que tem preced&ecirc;ncia sobre raz&otilde;es de mercado, hibrida&ccedil;&atilde;o de elementos.</p>
<p>Qual &eacute; o conceito da Garagem Herm&eacute;tica? Bakalites, Tar&rsquo;Ha&iuml;, Begnandes, Trichlo, Targrowns. As Terras Aleat&oacute;rias, &agrave;s quais se chega usando os transmissores de mat&eacute;ria. Tr&ecirc;s mundos ou tr&ecirc;s n&iacute;veis, talvez criados pelo major Grubert &ndash; o major Fatal &ndash; que usou treze geradores de Efeito Grubert para criar um aster&oacute;ide que cabe em seu bolso, mas, para quem est&aacute; dentro dele &ndash; dentro da Garagem Herm&eacute;tica &ndash; a sensa&ccedil;&atilde;o &eacute; de estar em um universo aberto. Como o nosso, por exemplo.</p>
<p>N&atilde;o &eacute; muito f&aacute;cil escrever sobre a Garagem Herm&eacute;tica porque cada um vai encontrar coisas muito diferentes nela. Moebius trabalhou estes mundo imagin&aacute;rios herm&eacute;ticos de forma que, paradoxalmente, abram links para outros mundos imagin&aacute;rios, outros universos. A Garagem Herm&eacute;tica &eacute; aquilo que cada um encontra nela.</p>
<p>Os quadrinhos de Moebius, Jodorowski e Bilal fazem parte do imagin&aacute;rio de toda uma gera&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Matrix&rdquo; n&atilde;o deixa de ser uma vers&atilde;o mais &lsquo;tecnologizada&rsquo; da Garagem Herm&eacute;tica e &ldquo;Duna&rdquo;, o filme de Lynch, tem liga&ccedil;&otilde;es confusas com o projeto de Moebius para o mesmo filme &ndash; todos eles eram, al&eacute;m disso, amigos de H.R. Giger, de onde a colabora&ccedil;&atilde;o de Moebius na arte de &#8220;Alien&#8221;&hellip; a matriz &eacute; ampla.&nbsp;</p>
<p>Suponho que este texto seja mais uma homenagem do que um ensaio - agora, editado em mar&ccedil;o de 2012, uma homenagem tamb&eacute;m ao Major Moebius, que se foi para outra Garagem Herm&eacute;tica -, e fico um pouco triste porque, ao lembrar do que estava sendo produzido naquela &eacute;poca, e mesmo do que foi produzido depois por Frank Miller (&ldquo;Dark Knight&rdquo;, &ldquo;Ronin&rdquo;, &ldquo;Elektra&rdquo; etc), Bill Sienkewicz (&ldquo;Elektra&rdquo;, &ldquo;Stray Toasters&rdquo; etc) &amp; Cia, tenho uma sensa&ccedil;&atilde;o de perda, a impress&atilde;o de que hoje, de alguma forma, h&aacute; &ldquo;menos&rdquo;, num mundo de mais: <em>menos </em>imagin&aacute;rio e <em>mais</em> produ&ccedil;&atilde;o, eu creio.</p>
<p>Mas isso &eacute; outra das muitas hist&oacute;rias de nossa pr&oacute;pria Garagem Herm&eacute;tica.</p>
]]></content></entry><entry><title>o q nunca foi nem será só seu</title><category term="Ensaio"/><category term="Escritos"/><category term="Filosofia"/><category term="Poesia"/><category term="arte"/><category term="ensaio"/><category term="filosofia"/><id>http://www.doppelganger.com.br/improbabilidades/o-q-nunca-foi-nem-sera-so-seu.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.doppelganger.com.br/improbabilidades/o-q-nunca-foi-nem-sera-so-seu.html"/><author><name>Carlos Irineu da Costa</name></author><published>2011-12-09T01:43:36Z</published><updated>2011-12-09T01:43:36Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<p>vou me desdobrar em v&aacute;rias respostas. uma coisa me ocorre muito de cara: a contracapa do (meu livro de poesias) &#8220;Sala de Espelhos&#8221;:</p>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span ><em>vou escrever este livro inteiro para voc&ecirc;, entretanto<br /></em> </span></div>
<div style="color: #000000; font-family: arial; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: small;"><span ><em>vc sabe q ser&aacute; lido por todos e</em> </span></div>
<div style="color: #000000; font-family: arial; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: small;"><span ><em>q nunca foi nem ser&aacute; s&oacute; seu; q nada do q digo aqui</em> </span></div>
<div style="color: #000000; font-family: arial; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: small;"><span ><em>&eacute; dirigido a vc, pq isto n&atilde;o &eacute; uma carta, pq</em> </span></div>
<div style="color: #000000; font-family: arial; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: small;"><span ><em>nada tenho para vc, &eacute; tarde demais. mas queria q soubesse,</em> </span></div>
<div style="color: #000000; font-family: arial; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: small;"><span ><em>pq agora q estou vivo tenho tanto a dizer, ainda qdo vc n&atilde;o venha</em> </span></div>
<div style="color: #000000; font-family: arial; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: small;"><span ><em>a me dizer as coisas q quisera ouvir. ainda qdo olhar se veja projetada</em> </span></div>
<div style="color: #000000; font-family: arial; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: small;"><span ><em>aqui n&atilde;o me venha pedir explica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o interprete</em> </span></div>
<div style="color: #000000; font-family: arial; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: small;"><span ><em>palavras, all that is seen</em> </span></div>
<div style="color: #000000; font-family: arial; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: small;"><span ><em>or seems is just a dream</em> </span></div>
<div style="color: #000000; font-family: arial; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: small;"><span ><em>within a dream, isto &eacute;</em> </span></div>
<div style="color: #000000; font-family: arial; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: small;"><span ><em>apenas uma sala de espelhos</em> </span></div>
<div style="color: #000000; font-family: arial; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: small;"><span ><em>num circo de vidas</em> </span></div>
<div style="color: #000000; font-family: arial; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: small;"><span ><em>ceci n&#8217;est pas une pipe</em> </span></div>
<div style="color: #000000; font-family: arial; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: small;"><span ><em>e nem mesmo representa um.</em> </span></div>
<div style="color: #000000; font-family: arial; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: small;"><span ><br /> </span></div>
<div style="color: #000000; font-family: arial; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: small;"><span ><em>&#8220;comunica&ccedil;&atilde;o&#8221;, vc me diz, no entanto este texto ressoa</em> </span></div>
<div style="color: #000000; font-family: arial; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: small;"><span ><em>apenas tuas pr&oacute;prias palavras: nada do q eu disse, nada</em> </span></div>
<div style="color: #000000; font-family: arial; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: small;"><span ><em>do q quisera dizer: nenhum som foi</em> </span></div>
<div style="color: #000000; font-family: arial; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: small;"><em ><span >poss&iacute;vel aqui.</span></em></div>
<div style="color: #000000; font-family: arial; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: small;"></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > tenho um coment&aacute;rio sobre o que n&atilde;o est&aacute; escrito nesta poesia. </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span ><br /> </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > a primeira parte &eacute; ao mesmo tempo uma carta de despedida para um amor perdido </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > (como eu teria escrito agora, se estivesse inspirado como estava naquela &eacute;poca) </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > mas &eacute; tamb&eacute;m o paradoxo que eu acho que quase todo texto tem: </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > eles (textos) existem, na cabe&ccedil;a do autor, em fun&ccedil;&atilde;o de alguma coisa, </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > s&atilde;o (por vezes) dirigidos a algu&eacute;m ou prov&ecirc;m de algum &#8216;fato&#8217;, </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > por mais que tornemos as coisas ficcionais, por mais que seja um fato imaginado; </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > al&eacute;m disso, sei que cada um ter&aacute; uma leitura pr&oacute;pria mas, paradoxalmente, </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > o livro publicado n&atilde;o &#8216;pertence&#8217; mais ao autor nem a um leitor - ele &eacute; a soma de tudo </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > o que quiserem ler nele, e as leituras transcendem qualquer &#8216;desejo&#8217; do autor quanto a dizer isso e aquilo; </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span ><br /> </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > da&iacute; a ideia seguinte, de que cada leitor se projeta na leitura, e os textos viram espelhos, </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > ent&atilde;o, de certa forma, o &#8220;sentido original&#8221; do que eu possa escrever </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > fica sempre &#8220;por tr&aacute;s&#8221; daquilo que cada um v&ecirc; ali, fica oculto pelas palavras, </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > embora s&oacute; elas existam - palavras - e s&oacute; elas &#8216;falem&#8217; num livro. </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > mas n&atilde;o &eacute; a mim que cabe explicar nada, eu s&oacute; disse aquilo que disse, </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > e eu s&oacute; disse aquilo que voc&ecirc; possa ter lido. </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span ><br /> </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > o que vem depois n&atilde;o &eacute; mais nem carta nem est&aacute; falando com o leitor, </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > &eacute; minha tese de doutorado escrita em umas 6 estrofes, </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > quando eu cito ao mesmo tempo Poe e Magritte e, citando os dois, </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > com umas poucas palavras no meio eu falo sobre </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > minha teoria de que a linguagem n&atilde;o pode &#8216;representar&#8217; nada, </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > que h&aacute; uma dist&acirc;ncia intranspon&iacute;vel entre a coisa-em-si (l&aacute; na Filosofia) </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > e nossa representa&ccedil;&atilde;o dessa coisa, e que, dream within a dream, </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > estamos para sempre presos nessa cadeia de remiss&otilde;es, </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > nessa (outra) sala de espelhos. </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span ><br /> </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > o quadro de Magritte &eacute; aquele famoso, em geral chamado mesmo de &#8220;Ceci n&#8217;est pas une pipe&#8221;, </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > http://en.wikipedia.org/wiki/File:MagrittePipe.jpg </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > mas Magritte o chamou de &#8220;A trai&ccedil;&atilde;o das imagens&#8221;, e, at&eacute; onde consigo pensar, </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > ele olhava para a mesma coisa que eu olho (como te&oacute;rico) : </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > o quadro &eacute; s&oacute; a representa&ccedil;&atilde;o do objeto, nunca o objeto em si, </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > e aquela representa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o cont&eacute;m *todo* o objeto - h&aacute; muitas varia&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > em torno do cachimbo. </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span ><br /> </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > (incidentalmente, Magritte gostava muito de Poe, mas ningu&eacute;m nunca vai saber </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > se foi por isso ou n&atilde;o que eu citei Poe junto a Magritte na poesia; </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > na verdade, uma vez que existe uma remiss&atilde;o, n&atilde;o me cabe dizer se </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > fiz de prop&oacute;sito, se s&oacute; percebi depois ou se, como Magritte, eu tamb&eacute;m vejo ecos de Poe </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > aqui e ali) </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span ><br /> </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > e a &#8216;tese&#8217; termina enunciando o paradoxo que em geral se coloca: </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > se um leitor s&oacute; vai encontrar no texto aquilo que ele traz consigo, </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > se o texto &eacute; incapaz (no limite) de enunciar algo distinto da leitura, </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > ent&atilde;o o que chamamos de &#8220;comunica&ccedil;&atilde;o&#8221; &eacute; falso. </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span ><br /> </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > como no quadro de Magritte, contudo, o paradoxo da poesia (e do livro) </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > est&aacute; no fato de que Magritte obviamente pintou um cachimbo e eu </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > obviamente </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > escrevi um livro. </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span ><br /> </span></div>
<div style="color: #000000; font-variant: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-align: -webkit-auto; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; font-size: 100%;"><span > (deixo voc&ecirc;s com a imagem do Gato de Alice, bem Schr&ouml;dinger&#8230;) </span></div>
]]></content></entry><entry><title>do começo</title><category term="Escritos"/><category term="Poesia"/><category term="escritos"/><category term="poesia"/><id>http://www.doppelganger.com.br/improbabilidades/do-comeco.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.doppelganger.com.br/improbabilidades/do-comeco.html"/><author><name>Carlos Irineu da Costa</name></author><published>2011-10-22T16:36:20Z</published><updated>2011-10-22T16:36:20Z</updated><summary type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[nunca teve um. começo.
]]></summary></entry><entry><title>coloque-se frente a uma tela em branco</title><category term="Ensaio"/><category term="Escritos"/><category term="aqui dentro"/><category term="ensaio"/><category term="escrever"/><category term="lá fora"/><id>http://www.doppelganger.com.br/improbabilidades/coloque-se-frente-a-uma-tela-em-branco.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.doppelganger.com.br/improbabilidades/coloque-se-frente-a-uma-tela-em-branco.html"/><author><name>Carlos Irineu da Costa</name></author><published>2011-10-18T19:19:06Z</published><updated>2011-10-18T19:19:06Z</updated><summary type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[Coloque-se frente a uma tela em branco. Sob seus dedos, você tem todos os textos possíveis – é uma combinatória, uma sequência de sequências finitas de teclas pressionadas.
Escrever é trazer para Dentro parte do que está Fora.
]]></summary></entry><entry><title>Por que não deixamos Benjamin em paz e vamos, sei lá, ‘pensar’?</title><category term="Crítica"/><category term="Filosofia"/><category term="Livros"/><id>http://www.doppelganger.com.br/improbabilidades/por-que-no-deixamos-benjamin-em-paz-e-vamos-sei-la-pensar.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.doppelganger.com.br/improbabilidades/por-que-no-deixamos-benjamin-em-paz-e-vamos-sei-la-pensar.html"/><author><name>Carlos Irineu da Costa</name></author><published>2011-08-30T19:05:38Z</published><updated>2011-08-30T19:05:38Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<p>A resposta &eacute; &ldquo;n&atilde;o sei&rdquo;, mas foi uma das v&aacute;rias coisas que eu pensei ao ler, pela manh&atilde;, a resenha do livro de uma autora nacional (nova? n&atilde;o sei, n&atilde;o a conhe&ccedil;o ainda, mas eu desconhe&ccedil;o tantas coisas) em um dos poucos cadernos &lsquo;de livros&rsquo; que nos sobraram.</p>
<p>Vou dizer coisas pol&ecirc;micas &ndash; depois cada leitor se diverte olhando para dentro, e olhando em volta, e pensando o que acha sobre tais coisas pol&ecirc;micas.</p>
<p>A primeira &eacute;: vamos combinar que &eacute; poss&iacute;vel ir &agrave; esquina e falar sobre um livro sem ter que citar Benjamin? Vou ser um pouco mais ousado e dizer que, das pessoas que pensam, boa parte conseguiria pensar sem citar Benjamin. Parecem contudo estar acometidas por algum v&iacute;rus, pois fato &eacute; que n&atilde;o conseguem. Espirram Benjamin no texto. Espirram Benjamin quando me enviam mails. Benjamin disse, Benjamin postulou, segundo Benjamin.</p>
<p>Sagrada que seja a vossa palavra, Benjamin, n&atilde;o vejo ningu&eacute;m falando da complexa rela&ccedil;&atilde;o de Benjamin com seu momento hist&oacute;rico, e pouca gente formula teses a respeito de um pensador &lsquo;hegeliano marxista&rsquo; que era fascinado por Baudelaire e Proust, vidrado pelas vitrines capitalistas de Paris de sua &eacute;poca e por aquela outra forma de arte decadente, o Romantismo&hellip; Acho que Baudelaire e Proust &eacute; o mais distante poss&iacute;vel que voc&ecirc; pode se colocar de Hegel e Marx.</p>
<p>Menos gente ainda vai escavar a imensid&atilde;o (literal) de &ldquo;Passagens&rdquo; e relacion&aacute;-la, digamos, &agrave;s teses sobre a Hist&oacute;ria de Benjamin, ou criar novos esbo&ccedil;os sobre sua tentativa de mapear &ndash; no melhor estilo Borges &ndash; toda a Ent&atilde;o Modernidade em todas as suas formas de express&atilde;o para _____. N&atilde;o sei o que vem depois desse &ldquo;para&rdquo;, talvez nenhum de n&oacute;s possa saber, porque o autor morreu e nos deixou com um fragmento de fragmentos em m&atilde;os. Creio que temos mais d&uacute;vidas sobre Benjamin do que coragem para admitir este fato. [1]</p>
<p>Ainda assim, por que n&atilde;o falamos sobre Hegel na obra de Benjamin, por que n&atilde;o contextualizamos historicamente suas falas naquele momento t&atilde;o espec&iacute;fico de produ&ccedil;&atilde;o do pensamento e sa&iacute;mos falando sobre &ldquo;a Obra de Arte&rdquo; e &ldquo;o Narrador&rdquo; como se, de 1930 para c&aacute;, essas palavras-conceito ainda tivesse algum poss&iacute;vel sentido em comum?</p>
<p>N&atilde;o sei. Minha hip&oacute;tese m&eacute;dica, com profus&atilde;o de dados cl&iacute;nicos emp&iacute;ricos mas profundamente contest&aacute;vel conceitualmente, &eacute; que o v&iacute;rus de que algumas pessoas est&atilde;o acometidas as impede de pensar algo novo. Ora, todos sabemos que &eacute; imposs&iacute;vel citar Benjamin para formular a base de uma leitura cr&iacute;tica do pr&oacute;prio Benjamin, de onde &eacute; bem mais seguro <em>n&atilde;o</em> formular uma leitura cr&iacute;tica de Benjamin. Para tal seria preciso &#8212; valha-me deus criador &#8212; pensar algo original a respeito de sua obra.</p>
<p>A outra coisa (pode ser a &ldquo;segunda&rdquo;, porque houve uma &ldquo;primeira&rdquo;, mas n&atilde;o sei contar argumentos) &eacute; talvez dev&ecirc;ssemos combinar que Benjamin n&atilde;o escreveu um texto chamado &ldquo;O Narrador&rdquo;. Paradoxal, porque este texto nunca escrito &eacute; frequentemente citado por todo mundo.</p>
<p>Mas&hellip; mas&hellip; mas&hellip;. e o texto sobre Leskov? Ah, voc&ecirc;s dizem, aquele texto que se chama &ldquo;reflex&otilde;es sobre a[s] obra[s] de Nikolai Leskov&rdquo;, Leskov que, na melhor tradi&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica contempor&acirc;nea quase ningu&eacute;m se obriga a ler para ter uma vis&atilde;o cr&iacute;tica sobre a vis&atilde;o cr&iacute;tica de Benjamin, Leskov que foi apagado para se tornar &ldquo;O Narrador&rdquo;?</p>
<p>&Eacute;, este texto. Quem costuma citar o tal narrador de Benjamin sem ter lido Leskov por favor fa&ccedil;a um exame de consci&ecirc;ncia metodol&oacute;gica. Obrigado.</p>
<p>Retomo. Na tradu&ccedil;&atilde;o para o franc&ecirc;s de Maurice de Gandillac &ndash; que estudou de fato com Benjamin, at&eacute; onde me lembro do que ele me disse muitos anos atr&aacute;s &ndash;, leio &ldquo;Le Narrateur&rdquo;, mas quase todas as tradu&ccedil;&otilde;es para o ingl&ecirc;s falam sobre &ldquo;The Storyteller&rdquo; &ndash; o contador de hist&oacute;rias. Provavelmente porque &ldquo;narrative&rdquo; &eacute; uma palavra comum em ingl&ecirc;s, mas &ldquo;the narrator&rdquo; soa s&oacute; como algu&eacute;m escrevendo errado.</p>
<p>Do nosso lado, &ldquo;o narrador&rdquo; &eacute; aquele cara que todo mundo conhece, estudamos esse cara desde o col&eacute;gio &ndash; logo, desde os 8 ~ 12 anos de idade &lsquo;sabemos&rsquo; o que &eacute; um narrador (&ldquo;&eacute; quem conta a hist&oacute;ria&rdquo;, diz Dona Tet&eacute;ia [2]). Mas &ldquo;o contador de hist&oacute;rias&rdquo; &ndash; the storyteller &ndash;, sabemos todos, &eacute; algu&eacute;m que apresenta uma pe&ccedil;a de teatro infantil aos domingos. N&atilde;o &eacute; um Tema Liter&aacute;rio Academicamente Relevante, bolas!</p>
<p>Volto. Leio todos esses que citam o tal &ldquo;Narrador&rdquo; com uma certa ang&uacute;stia, porque parece a eles que seja uma Teoria Atemporal santificada por Benjamin sobre &hellip;. ?&nbsp; Sei l&aacute;: o que seria uma teoria v&aacute;lida, aqui?, que nos fosse &uacute;til hoje, para falar sobre livros de hoje? O que seria uma teoria que desse conta do fim do romantismo e da mudan&ccedil;a do romance, como forma principal da escrita, para algo que j&aacute; n&atilde;o &eacute; mais o romance, mas continua sendo, &oacute;bvio, uma &lsquo;narrativa&rsquo;?</p>
<p>Me perco, tergiverso. Pe&ccedil;o desculpas, mas &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o frequente das pessoas acometidas por este mal que &eacute; o pensamento radical [3].</p>
<p>Discordando ou n&atilde;o de traduzir o &ldquo;narrador&rdquo; como &ldquo;o contador de est&oacute;rias&rdquo; (vamos concordar que nossa abordagem do texto &ndash; e as apropria&ccedil;&otilde;es indevidas que alguns, vir&oacute;ticos apressados, poderiam cometer ao l&ecirc;-lo &ndash; muda muito quando trocamos essa figura quase sobre-humana e a-hist&oacute;rica, um imperativo categ&oacute;rico que Kant por acaso n&atilde;o listou - O Narrador - pela figura muito mais humana, transit&oacute;ria e fr&aacute;gil do &ldquo;contador de hist&oacute;rias&rdquo; &ndash; Homero, Faulkner, J.Conrad&#8230; esses caras.</p>
<p>Fico ainda mais angustiado porque todo mundo parece esquecer que este subt&iacute;tulo de Benjamin - &ldquo;Reflex&otilde;es sobre as obras de Nikolai Leskov&rdquo; - n&atilde;o pretende ser &ldquo;Apontamentos para novos rumos da Teoria da Literatura&rdquo;. Talvez Benjamin n&atilde;o pretendesse que seu texto fosse o Fundamento Can&ocirc;nico para a Discuss&atilde;o da Figura do Narrador na Modernidade e em Tudo O Que Veio Depois. (Lamento, o p&oacute;s-moderno &eacute; passado, temos que nos desligar disso, n&atilde;o vou usar o termo aqui.)</p>
<p>Se f&ocirc;ssemos rigorosos, ou se tiv&eacute;ssemos boa mem&oacute;ria hist&oacute;rica, ter&iacute;amos ainda que contextualizar um pouco quando, como e por que Benjamin estava escrevendo sobre Leskov e narrando &ndash; Benjamin foi um dos grandes Narradores do s&eacute;culo 20 - outra das tantas &lsquo;mortes&rsquo; disso e daquilo a que assistimos ao longo do s&eacute;culo 20.</p>
<p>Era 1936 quando Benjamin resolveu falar sobre Leskov e o folclore e, talvez sem que ele soubesse, Faulkner, bem longe, estava mudando a hist&oacute;ria de como se conta hist&oacute;rias com <em>Absalom! Absalom!</em>, que talvez seja, como, ahn, &lsquo;narrativa&rsquo;, frontalmente contr&aacute;rio ao conceito de Benjamin sobre, hum, &lsquo;narrativas&rsquo;.</p>
<p>Isso tudo, contudo, &eacute; minha curta introdu&ccedil;&atilde;o para dizer que li uma &lsquo;resenha cr&iacute;tica&rsquo;, pela manh&atilde;, que me deixou muito irritado porque era mais uma longa cita&ccedil;&atilde;o de Benjamin do que uma tentativa honesta de falar sobre o livro em quest&atilde;o. E, completamente indiferente ao que o artigo tinha a me dizer sobre Benjamin em duas colunas de jornal, fiquei decepcionado porque acabei n&atilde;o sabendo sobre o que falava o livro que foi convenientemente apagado da tal resenha. Preciso retomar isso mais &agrave; frente.</p>
<p>&ldquo;O Narrador&rdquo;, de qualquer forma, me soa muito como &ldquo;O contador de hist&oacute;rias na obra de Leskov&rdquo; e acho que isso &eacute; algo que vale um texto, meu tempo, e uns anos de estudo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>[1] N&atilde;o citarei ningu&eacute;m aqui, neste quase-manifesto contra cita&ccedil;&otilde;es, mas, se fosse citar, citaria um ensaio iluminado de Hannah Arendt chamado &ldquo;Walter Benjamin: 1892-1940&rdquo;, n&atilde;o s&oacute; uma declara&ccedil;&atilde;o de amor a Benjamin como tamb&eacute;m uma percep&ccedil;&atilde;o muito sens&iacute;vel sobre as contradi&ccedil;&otilde;es do autor.</p>
<p>[2] Mas conta que hist&oacute;ria?, e o que &eacute; exatamente essa coisa de &ldquo;contar&rdquo;?, e at&eacute; que ponto quem &ldquo;conta&rdquo; &eacute; quem narra?, e quem aqui foi ler Genette para tentar sair dessa trama infind&aacute;vel onde mesmo Foucault se perdeu?</p>
<p>[3] Traduzindo &ldquo;as in&rdquo; como &ldquo;tipo&rdquo;, para n&atilde;o soar pedante, radical tipo aquele que funda a si mesmo, &lsquo;de raiz&rsquo;, n&atilde;o o que &eacute; radicalmente contra ou a favor de coisas.</p>
]]></content></entry><entry><title>preconceitos e pressupostos - uma parábola moral</title><category term="Escritos"/><category term="escritos"/><category term="lá fora"/><id>http://www.doppelganger.com.br/improbabilidades/preconceitos-e-pressupostos-uma-parabola-moral.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.doppelganger.com.br/improbabilidades/preconceitos-e-pressupostos-uma-parabola-moral.html"/><author><name>Carlos Irineu da Costa</name></author><published>2011-08-03T21:14:37Z</published><updated>2011-08-03T21:14:37Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<p>a hist&oacute;ria n&atilde;o &eacute; minha. a lembran&ccedil;a da hist&oacute;ria &eacute; minha, mas foi uma grande amiga, Daniela, que me contou essa hist&oacute;ria numa reuni&atilde;o de neg&oacute;cios poucos meses atr&aacute;s. a hist&oacute;ria n&atilde;o &eacute; dela. o conceito de &#8216;autoria&#8217;, na verdade, &eacute; muitas vezes irrelevante, e gosto de poder dizer isso no meio de um par&aacute;grafo, como quem n&atilde;o quer nada (mas sempre quero).</p>
<p>voltei a lembrar da narrativa (Nikolai Semyonovich&nbsp;Leskov?) hoje, por conta de algo completamente diferente. como acho uma met&aacute;fora-par&aacute;bola realmente boa de pensar sobre o problema de quem resolve antes, na pr&oacute;pria cabe&ccedil;a, algo que ainda n&atilde;o aconteceu no Mundo l&aacute; fora&#8221;, quebro minha regra de n&atilde;o colocar no ar textos &#8216;gen&eacute;ricos&#8217;. [1]</p>
<p>narro:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>um sujeito estava numa estrada do interior quando o pneu do carro furou. era quase noite e n&atilde;o havia movimento naquela estrada.</p>
<p>notou, desconsolado, que n&atilde;o tinha um macaco. pior ainda, descobriu que seu estepe estava vazio. nenhum carro &agrave; vista, sem celular para chamar socorro, ele ia esperar um longo tempo at&eacute; algu&eacute;m passar por aquela estrada. chovia, e ele iria ficar ensopado.&nbsp;precisava encontrar ajuda para sair&nbsp;dali.&nbsp;</p>
<p>viu as luzes de uma pequena casa ao longe; parecia haver uma garagem ao lado. pensou que o dono da casa talvez possu&iacute;sse um carro e, neste caso, teria um macaco, talvez mesmo um pneu reserva que pudesse emprestar. na pior das hip&oacute;teses, a casa teria um telefone e ele estaria abrigado at&eacute; o socorro chegar.</p>
<p>caminhou para l&aacute;, feliz e esperan&ccedil;oso. imaginou-se batendo na campainha, a esposa simp&aacute;tica abrindo, crian&ccedil;as rindo, o marido levantando da TV (maridos sempre veem TV, esposas sempre abrem a porta) para ver quem era. simp&aacute;tico, tranquilo, uma boa pessoa. ele pediria desculpas pela intromiss&atilde;o, perguntaria se o dono da casa lhe emprestava um&nbsp;macaco. o senhor teria um estepe, talvez? n&atilde;o, entendo, n&atilde;o h&aacute; problemas, mas eu poderia ao menos ligar para um&nbsp;posto ou borracheiro? ah, muito grato.</p>
<p>imaginou-se batendo &agrave; porta da casa, sendo recebido pelo dono da casa, desconfiado e irritado por ser interrompido em seu jantar. pediria desculpas, n&atilde;o queria incomodar, n&atilde;o ia nem pedir o estepe, mas poderia ao menos dar um telefonema? na verdade poderia falar sobre o pneu, o macaco, que ele devolveria em seguida. sim, entendia que era um desconhecido, mas essas coisas acontecem, olha, eu deixo um cheque como garantia para o senhor, caso eu n&atilde;o volte com o pneu e o macaco.&nbsp;</p>
<p>enquanto andava, imaginou-se chegando &agrave; casa. os dois irm&atilde;os que moram sozinhos l&aacute;, fazendeiros e broncos (todo fazendeiro de hist&oacute;rias ou tem enorme cora&ccedil;&atilde;o ou &eacute; muito bronco), odiavam visitas, ainda mais na hora do jantar. quem &eacute; voc&ecirc;, e o que quer? por que nos incomoda? bem, sim, sou um desconhecido, mas estou no meio dessa chuva. olha, meu carro quebrou l&aacute; na estrada&#8230; &eacute;, n&atilde;o d&aacute; mais para ver, agora est&aacute; escuro, mas eu n&atilde;o viria andando, n&atilde;o &eacute;?, e tentou sorrir, mas n&atilde;o sentiu a menor simpatia.</p>
<p>eles n&atilde;o t&ecirc;m por que confiar em mim. eu n&atilde;o confiaria num estranho que viesse perturbar a minha paz no meio de um dia desses. e se eu for um lun&aacute;tico, um psicopata? os filmes enfiam isso na cabe&ccedil;a das pessoas, agora somos todos psicopatas armados querendo matar uns aos outros. o que os americanos n&atilde;o fazem com o mundo, eu s&oacute; queria dar um telefonema, me abrigar da chuva.</p>
<p>n&atilde;o v&atilde;o me deixar entrar. v&atilde;o&nbsp;me barrar na porta, eu aqui no meio do nada, sem telefone, sem macaco. s&atilde;o pessoas sem cora&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&atilde;o homens religiosos e t&ecirc;m toda raz&atilde;o em ter medo. devem estar armados, podem querer me amea&ccedil;ar. eu, que viajo tanto de carro, sou tolo em n&atilde;o andar armado. h&aacute; muitos psicopatas, eles podem me jogar no por&atilde;o e me manter prisioneiro; se derem sumi&ccedil;o no carro a pol&iacute;cia vai ter trabalho para me encontrar, &eacute; uma longa estrada.</p>
<p>o que as pessoas t&ecirc;m de errado?, pensou. por que o mundo &eacute; assim t&atilde;o violento? custava me emprestarem um macaco, um estepe? nem mesmo me deixam usar o telefone?&nbsp;quem pensam que sou?</p>
<p>assustado com os quatro marginais que iria encontrar na casa, mas sem outra sa&iacute;da, decidiu seguir em frente.&nbsp;</p>
<p>quando chegou l&aacute;, bateu na campainha; deu um passo atr&aacute;s, pronto para fugir correndo se necess&aacute;rio.&nbsp;assim que um sujeito sonolento abriu a porta, vociferou:</p>
<p><em>olha aqui, seu&nbsp;porco ego&iacute;sta, eu s&oacute; queria ajuda porque meu carro est&aacute; parado l&aacute; na estrada. mas tudo bem, eu entendi, voc&ecirc; n&atilde;o quer me emprestar o macaco e vai dizer que seu carro n&atilde;o tem estepe, n&atilde;o &eacute;? t&aacute; legal, t&aacute; legal, sei me virar sozinho e n&atilde;o preciso usar seu telefone,&nbsp;entendeu? agora fique a&iacute; bem quieto e nem pense em pegar sua arma ou aprontar alguma porque ando sempre armado. voc&ecirc; n&atilde;o sabe com quem est&aacute; se metendo, viu? acho o c&uacute;mulo da grosseria, tudo isso, mas voc&ecirc; tem sorte, n&atilde;o vou levar para o lado pessoal e n&atilde;o quero brigas. adeus! &nbsp;</em></p>
<p>virou-se e foi embora. o cara sequer teve tempo de esbo&ccedil;ar uma rea&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>l&aacute; dentro, a esposa estava fazendo o jantar e perguntou para o marido o que era. n&atilde;o sei, respondeu, um cara muito estranho dizendo que estava armado e falando coisas sobre querer roubar nosso estepe. parece que foi embora, mas &eacute; melhor ficarmos atentos. amanh&atilde;, quando for na cidade, vou mesmo comprar uma arma.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>[1] argumentaria, com o Pierre Menard de Borges e uma pitada de Benjamin, mas sobretudo eu mesmo, que, ao narrar a hist&oacute;ria da minha forma, em meio a meus textos, criando outro contexto, a narrativa &eacute; um pouco outra, o que se conta tem outro prop&oacute;sito e, ainda que a estrutura permane&ccedil;a semelhante, O Narrador, aqui, sou eu.</p>
]]></content></entry><entry><title>era noite, e chovia</title><category term="Escritos"/><category term="escritos"/><category term="noir"/><id>http://www.doppelganger.com.br/improbabilidades/era-noite-e-chovia.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.doppelganger.com.br/improbabilidades/era-noite-e-chovia.html"/><author><name>Carlos Irineu da Costa</name></author><published>2011-07-30T21:31:30Z</published><updated>2011-07-30T21:31:30Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<p>Eu gosto de chuva e sinto falta dela. N&atilde;o me lembro bem quando foi que choveu pela &uacute;ltima vez aqui, mas acho que foi breve, chuva fina. Voc&ecirc; j&aacute; n&atilde;o estava comigo, nas &uacute;ltimas chuvas. Antes, lembro de n&oacute;s dois, no telhado do pr&eacute;dio, vendo as luzes se moverem, l&aacute; embaixo, tudo pequeno e sem import&acirc;ncia. Fic&aacute;vamos abra&ccedil;ados, olhando para fora mas pensando um no outro. Eram tempos melhores.&nbsp;</p>
<p>Mas hoje &eacute; diferente.</p>
<p>Gosto desses dias cinzas e&nbsp;um pouco mais frios. Acho que a &uacute;nica coisa &agrave; qual nunca me acostumei foram os invernos nos pa&iacute;ses do Norte &#8212; dias muito curtos e, nos dias pesados em que meu mundo ficava dentro da Rede, acordava cedo, tudo escuro, passava o dia em bunkers fechados de onde sa&iacute;a com tudo novamente escuro. Os dias sem dias.</p>
<p>Mas hoje &eacute; diferente.&nbsp;</p>
<p>O barulho da chuva parece tornar a cidade mais silenciosa. Os gatos n&atilde;o saem na rua, ficam embaixo dos carros ou se protegem l&aacute; onde gatos se protegem da chuva. N&atilde;o &eacute; dia de ca&ccedil;ar, para eles. A chuva pesada leva a sujeira dos dias, tudo fica um pouco mais lento, mais quieto; posso quase sentir o espa&ccedil;o em volta mudando.</p>
<p>Um &uacute;ltimo gole de caf&eacute;, pego a Glock sobre a mesa, ajeito a H&amp;K enquanto visto o imperme&aacute;vel, ligo os alarmes e saio.</p>
<p>Era noite l&aacute; fora, e chovia.</p>
]]></content></entry><entry><title>poesia, noir:</title><category term="Poesia"/><category term="poesia"/><id>http://www.doppelganger.com.br/improbabilidades/poesia-noir.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.doppelganger.com.br/improbabilidades/poesia-noir.html"/><author><name>Carlos Irineu da Costa</name></author><published>2011-07-24T23:50:14Z</published><updated>2011-07-24T23:50:14Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<p>aquilo que sobra quando tudo se cala &eacute; o mundo<br />a seco: o mesmo que sobra<br /> depois que a Glock interrompe o sil&ecirc;ncio, <br />o mesmo que sobra quando a Glock<br /> tira os ru&iacute;dos de um corpo.<br />fica um olhar branco que n&atilde;o te olha de volta:<br />&eacute; assim que o mundo te v&ecirc;, olhando em branco<br /> sem saber que voc&ecirc; est&aacute; a&iacute;. <br />&eacute; o mais pr&oacute;ximo que d&aacute; para chegar dele.</p>
<p>sem retorno.</p>
]]></content></entry><entry><title>Passa um longo tempo</title><category term="Escritos"/><category term="Poesia"/><category term="carros"/><category term="poesia"/><id>http://www.doppelganger.com.br/improbabilidades/passa-um-longo-tempo.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.doppelganger.com.br/improbabilidades/passa-um-longo-tempo.html"/><author><name>Carlos Irineu da Costa</name></author><published>2011-07-17T01:02:36Z</published><updated>2011-07-17T01:02:36Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<p>; como escrevo sobre as coisas que deixei de dizer, como me&ccedil;o as horas mortas?<br />o que &eacute;, em palavras, a experi&ecirc;ncia da dor real, ou<br />a experi&ecirc;ncia redobrada: o real da dor real?</p>
<p>&eacute; seco e corta; vou repetir:<br />(quantas vezes algu&eacute;m se repete durante toda uma vida ou, colocando ao reverso,<br />quantas vezes algo em n&oacute;s &eacute; realmente novo?)<br />s&atilde;o secas e cortam, palavras, horas, ou quando movo a pena sobre o papel -<br />mil&iacute;metros entre deixar um tra&ccedil;o sens&iacute;vel e rasgar fino o papel com a pena-estilete.</p>
<p>se algu&eacute;m me perguntasse a moral da hist&oacute;ria, de qualquer hist&oacute;ria,<br />contaria a vers&atilde;o dos ratos: os que morrem, sem saber por que, para que outros vivam mais;<br />algu&eacute;m pergunta se &eacute; preciso viver mais ou se isso &eacute; melhor que n&atilde;o-isso ou<br />apenas fazemos porque, em algum lugar, &eacute; parte de nosso c&oacute;digo?</p>
<p>se algu&eacute;m me perguntasse o que seria uma vida melhor haveria uma resposta a cada dia:<br />hoje, sete palmos sob a terra, em sil&ecirc;ncio;<br />hoje, a conversa madrugada adentro no quarto de hotel de SP, olhando a madrugada respirar luzes na atmosfera polu&iacute;da sabendo que ali estava meu livro, depois seria s&oacute; quest&atilde;o de tempo;<br />hoje, n&atilde;o ter que enfrentar a cegueira do sol da manh&atilde; seguinte;<br />hoje, de volta em Veneza andando pelo Guggenheim olhando esculturas no outono italiano;<br />hoje.</p>
<p>se pudesse ter um &#8220;instant replay&#8221; como no meu jogo, que me retorna no tempo me permite<br />refazer a curva que errei (quando me destrocei no muro, fragmentos a 200 e poucos por hora)<br />retomaria o percurso / trajet&oacute;ria l&aacute; atr&aacute;s (quando? mais f&aacute;cil perguntar que responder, sempre)<br />e&nbsp;poderia ver de fora,<br /> escolhendo a c&acirc;mera, para saber onde-quando fiz coisas estranhas que ent&atilde;o eu mudaria:<br /> frear, escolher outro rumo, n&atilde;o ultrapassar em momentos ruins, n&atilde;o colidir, fazer uma breve pausa:<br />a lista de gestos recusados &eacute; sempre muito maior que as coisas realizadas de fato.</p>
<p>(em outro momento)<br />retomo.<br />recome&ccedil;o.<br />reescrevo.</p>
]]></content></entry><entry><title>desbundante</title><category term="Ensaio"/><category term="Escritos"/><category term="escritos"/><category term="filosofia"/><category term="linguagem"/><id>http://www.doppelganger.com.br/improbabilidades/desbundante.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.doppelganger.com.br/improbabilidades/desbundante.html"/><author><name>Carlos Irineu da Costa</name></author><published>2011-07-07T15:00:00Z</published><updated>2011-07-07T15:00:00Z</updated><summary type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[não estou aqui por conta de sua bunda - disse o escritor para a Musa, ele sentado na frente de seus muitos monitores, pensando que a Igreja nunca admitiu as provas reais da existência de Deus (logo ele, tão agnóstico, pensando nisso): mulheres, bundas, seios, olhares, sexo, cheiros (antes, não necessariamente durante, depois), pizza, chocolate, mais pizza. e ainda tinha o argumento teológico sobre O Deus do Café.
]]></summary></entry></feed>
